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Júlio
Ribeiro
Júlio César
Ribeiro Vaughan era mineiro de Sabará. Nasceu
em 10 de abril de 1845. Após concluir o curso
médio em Minas, mudou-se para a capital do
Império em 1862 e ingressou na Escola Militar.
No entanto, três anos depois abandona a Escola
e muda-se para São Paulo, onde passa a lecionar
latim e retórica. Em 1870, funda O Sorocabano,
um jornal que lhe servirá como forma de expressar
seus ideais anticlericais, republicanos e abolicionistas.
Fundou ainda outros dois jornais: A procelária
e O rebate. Mas é através da publicação
de romances e ensaios que divulgará seus conceitos
e polemizará com diversos intelectuais. A primeira
dessas polêmicas foi em torno da Gramática
portuguesa. Elogiada por muitos, como Rui Barbosa
e Capistrano de Abreu, foi considerada um plágio
por outros, motivando o professor a publicar outro
livro, Cartas sertanejas. A segunda polêmica
foi política.
Júlio Ribeiro
viu na eleição à câmara
dos deputados dos jovens Prudente de Morais e Campos
Sales uma mera manobra política, pois ambos
não eram, segundo Ribeiro, "cientificamente
preparados" para exercerem cargo político.
Uma terceira polêmica foi motivada pela publicação
de seu principal romance, A carne. Conforme se depreende
da leitura, o autor via no casamento e em outras práticas
uma convenção religiosa, e que, portanto,
não correspondiam a uma verdade científica.
O Padre Sena Freitas em um artigo chamada "A
carniça" critica o romance de Ribeiro
classificando-o de "carne de bordel", pela
tematização sem pudores do sexo ou de
temas afins, como a menstruação. O artigo
fez Ribeiro responder prontamente ao padre para defender
o romance e atacar a Igreja Católica. Na verdade,
Júlio Ribeiro aderira às idéias
do seu tempo, que, em geral, tinham como objetivo
chegar à verdade das coisas não pelos
olhos da Igreja, e sim pela pesquisa científica.
Daí o tom de pesquisa que muitas vezes assume
A carne. Júlio Ribeiro viu realizarem-se alguns
de seus ideais: a libertação dos escravos
em 1888, e a proclamação da República
no ano seguinte. Mas em 1890, não resiste à
tuberculose e vem a falecer na cidade de Santos. Foi
eleito, postumamente, patrono da cadeira nº 17
da Academia Paulista de Letras.
Bibliografia
Romances:
> O padre Belchior
de Pontes (1876)
> A carne (1888)
Outros:
> Traços gerais
da lingüística (1880)
> Gramática
portuguesa (1880)
> Cartas sertanejas
(1885)
> Escola normal (1888)
> Nova gramática
latina (póstumo - 1895)
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