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Romantismo - prosa


O romance, chamado de "epopéia burguesa" pelo filósofo alemão Friedrich Hegel, tem sua origem nas novelas de cavalaria medievais e seu marco histórico na publicação de Dom Quixote (1605-15), por Miguel de Cervantes. Porém, somente no século XIX é que este gênero literário alcança prestígio, justamente por narrar a vida e o cotidiano burgueses, diferente da poesia épica em que se narram os grandes feitos históricos e heróicos de uma coletividade ou de um povo, como em Os Lusíadas (1572), de Luis de Camões. O romance, por sua vez, se atém ao indivíduo e a suas ações cotidianas, seguindo a perspectiva individualista da ideologia burguesa.

Seu público-alvo foi, inicialmente, constituído de estudantes, moças e funcionários públicos. E alcançou popularidade graças à relativa simplicidade do enredo e à linguagem quase coloquial, sobretudo naquele que pode ser considerado o primeiro romance brasileiro. A Moreninha (1844), de Joaquim Manuel de Macedo.

Em geral, os romances eram, inicialmente, publicados em folhetins de jornais e revistas importantes; e, como nas telenovelas atuais, a cada final de capítulo, o autor deixava um assunto importante pendente para assim garantir a continuidade da leitura.

No Brasil, o romance cumpriu um amplo papel naquela idéia de formar o sentimento nacional e a própria literatura local. Para tanto, os romancistas, sobretudo José de Alencar, procuraram narrar, tematizar todo o território nacional e os seus respectivos habitantes típicos. Tivemos então o romance urbano, em geral sobre o Rio de Janeiro, como Lucíola, Senhora, A Pata da Gazela, do próprio Alencar, O moço loiro e A luneta mágica, de Macedo e numa outra perspectiva o romance de Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um Sargento de Milícias, cujas personagens centrais pertencem à classe livre do Brasil na época de D. João VI, isto é, não são escravos, mas também não são burgueses, com isto tal romance antecipa elementos narrativos do romance realista-naturalista do final do século.

Houve ainda os romances de temáticas indianista e histórica, que procuravam no índio um heroísmo capaz de determinar as origens da gente nacional que, em contato com o português, teria colaborado para a formação do povo brasileiro. Exemplos típicos são Iracema e O Guarani, de José de Alencar.

Iracema é um romance escrito com base na história colonial brasileira. Martim Soares Moreno, protagonista do romance, existiu de fato, e ajudou a colonizar a região onde hoje é o estado do Ceará, no princípio do século XVII. Tornou-se amigo dos índios Jacaúna e de Poti, os quais também estão no romance. Poti, convertendo-se ao cristianismo, recebeu o batismo com o nome de Antonio Filipe Camarão e se tornou fidalgo.

Há, em Iracema, toda uma simbologia na união da raça portuguesa (Martim) com a raça índia (Iracema), que é a da fundação do Brasil, a fundação do homem brasileiro. No trecho a seguir, veremos como se deu o encontro inicial entre Martim e Iracema.

Há, por fim, os romances de temática sertanista, que revelam a preocupação em descobrir toda a variedade cultural presente no país, além de pretender identificar a origem e as características próprias do ser brasileiro. Esta é, aliás, o foco principal do Romantismo brasileiro. Alencar é o melhor representante desta linha temática com os livros O gaúcho e O sertanejo. Destacam-se ainda O Cabeleira, de Franklin Távora e Inocência, de Alfredo Taunay. É preciso lembrar, por fim, de A escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, em que discute as injustiças causadas pela presença da escravidão e os preconceitos que ela gera.

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