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Parnasianismo
Na poesia, a busca da
objetividade se deu de modo um pouco diferente em
relação à da prosa. O cientificismo
não lhe serviu como meio de análise
ou de imitação do real, deu-lhe apenas
perspectiva materialista. O ideário poético
é o de buscar a perfeição formal
com fim na própria forma, é a "artepela
arte", sem qualquer preocupação
com a realidade social. Assim, a poesia se revela,
segundo Alfredo Bosi, como "a mimese pela mimese",
falando de outro modo, o ideal poético é
a descrição de objetos, como vasos,
muros, leques ou a própria poesia sempre com
apuro formal.
Estranho
mimo aquele vaso! Vi-o
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio
Entre um leque e o começo de um bordado.
("Vaso chinês",
de Alberto de Oliveira)
Longe
do estéril turbilhão da rua
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!
("A um poeta",
de Olavo Bilac)
O Parnasianismo brasileiro
tem sua inspiração nas antologias do
Parnasse Contemporain (Paris - 1866, 1871 e 1876),
em que Théophile Gautier e Lecomte de Lisle,
através de seus poemas, determinaram o ideário
estético parnasiano. O nome vem de Parnaso,
monte grego dedicado a Apolo e às musas. Portanto,
em essência, busca-se de novo uma comunicação
com os textos clássicos e o aproveitamento,
como imagem poética, da mitologia greco-latina.
O livro que introduz
entre nós esta nova poética é
o do poeta Teófilo Dias, Fanfarras, publicado
em 1882; porém, a estética se define
realmente com três poetas: Alberto de Oliveira,
Raimundo Correia e Olavo Bilac.
O primeiro é,
com Meridionais (1884), o representante mais
fiel dessa escola. Já Raimundo Correia oscila
entre poema de inspiração romântica
(Primeiros Sonhos, de 1879), e os propriamente
parnasianos, como os de Sinfonias (1883), mesmo
assim resvalando por um filosofismo, e os que revelam
já um aproveitamento da estética simbolista,
como os que estão presentes em Aleluias
(1891). Em relação à poesia de
Olavo Bilac, esta apresenta, apesar de pautada pela
objetividade parnasiana, variações temáticas
como o sensualismo, o teor histórico e patriótico,
a velhice, resvalando-se, às vezes, por um
tom subjetivo.
Língua portuguesa
Olavo Bilac
Última
flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela
Amo-se
assim, desconhecida e obscura
Tuba de algo clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o
teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que
da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
O Parnasianismo teve
ainda vários simpatizantes até a década
de 20, quando sofreu duras críticas dos modernistas
de 1922 e se desarticulou como escola literária.
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