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O
Mulato
Aluísio
Azevedo
O livro
O mulato (1881) deu início à
escola literária naturalista no Brasil. Trata-se
de uma variação do realismo, com ênfase
maior ao uso da ciência como meio de construção
romanesca. Levado ao extremo, o naturalismo foi responsável
pela criação de obras literariamente
fracas, como A carne, de Júlio
Ribeiro, ainda que este livro possibilite o interesse
por compreender a própria escola naturalista.
Por outro lado, a visão naturalista, sem radicalismo,
levou Aluísio Azevedo a escrever bons livros,
como este O mulato. O título se refere
a Raimundo José da Silva, filho de uma escrava
com um fazendeiro. Por este motivo, Raimundo era mestiço,
ou seja, mulato.
Raimundo
era filho do português José da Silva
que se relacionou com uma escrava, Domingas, por quem
se apaixona. No entanto, devido à pressão
social e familiar acaba se casando com D. Quitéria.
Um dia,
porém, D. Quitéria descobre a verdadeira
origem de Raimundo. Para vingar-se manda que açoitem
Domingas, que acaba morrendo. José, desesperado,
leva Raimundo para viver com Manoel Pescada, seu irmão,
em São Luís.
De volta
à fazenda onde morava, encontra sua esposa
em adultério com o então Padre Diogo.
Mata a esposa e, supersticioso, não consegue
fazer o mesmo ao padre, com quem faz um pacto de silêncio.
Algum tempo depois, porém, é morto em
uma emboscada.
Raimundo,
por sua vez, é enviado ainda jovem à
Europa para estudar. O objetivo principal era afastá-lo
da fazenda e, particularmente, de Ana Rosa, sua prima,
por quem poderia vir a se apaixonar.
Ana Rosa
era filha de Manoel Pedro da Silva, ou Manoel Pescada.
Quando Manoel enviuvou, para não ficar sozinho
com Ana Rosa na Casa Grande, chama sua sogra, D. Maria
Bárbara para com eles. D. Maria era conhecida
por sua maldade, sobretudo contra negros e mulatos.
Fora ela, com apoio do Cônego Diogo, que articulou
a ida de Raimundo para a Europa.
O Cônego
Diogo é, na verdade, o grande vilão
do romance. Era amante de D. Quitéria, esposa
de José da Silva, pai de Raimundo, e o responsável
pelas principais tramóias no romance.
Raimundo,
após ter concluído os estudos, e já
com 26 anos, resolve voltar ao Maranhão para
dar seqüência à vida e também
descobrir suas origens, uma vez nunca lhe revelaram
que era filho de uma escrava. Num primeiro momento,
a Província lhe causa um tédio terrível,
afinal há pouco o que fazer e as pessoas não
têm o mesmo nível intelectual que ele.
No entanto, o tédio é vencido quando
consegue reaproximar-se de sua prima, Ana Rosa; não
demora muito para que passem a ter uma vida amorosa,
ainda que escondida, devido, mais uma vez, à
pressão familiar.
Maria
Bárbara, a avó de Ana Rosa, prefere
que ela se case com o português Luis Dias, empregado
do próprio Manoel Pescada, e faz de tudo, com
ajuda do Cônego, para que este casamento se
realize, apesar do pouco interesse que a menina demonstre
ter pelo empregado de seu pai.
Incapaz
de resolver o dilema amoroso que vive, uma vez que
o próprio Manoel Pescada lhe dissera que não
concederia a mão de Ana Rosa, pela cor de Raimundo,
acha melhor abandonar a província. Quando se
preparava para ir, percebe que não pode viver
sem Ana Rosa; ela também demonstra estar apaixonada
por ele. Por esse motivo, planejam uma fuga.
Luís
Dias, porém, com a articulação
do Cônego Diogo, planeja a morte de Raimundo.
Na noite em que o mulato combinara com a prima a fuga,
Luís, à espreita, dá um tiro
certeiro em Raimundo, que tem morte fulminante. Passado
o momento de consternação e tristeza,
Ana Rosa volta a se aproximar de Luís Dias,
o assassino daquele a quem dizia amar, e casa-se com
ele.
Apesar
da ironia, Ana não sabia quem assassinara Raimundo
e viu no casamento um meio de conciliar os desejos
familiares com a própria necessidade de permanecer
honrada perante a sociedade. Assim, esquece-se daquele
a quem dizia amar, para casar-se com um homem que
lhe proporcionaria tranqüilidade e conforto.
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