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Vanguardas européias

Ao final do século XIX, o mundo, em especial a Europa, conheceu um grande avanço científico e tecnológico que fez crer que se realizara a previsão dos Iluministas (século XVIII), em especial de Condorcet, que projetavam a felicidade suprema, ou quase, ao homem para quando ele se libertasse do irracionalismo, do obscurantismo e dominasse o conhecimento científico revertendo-o em tecnologia capaz de melhorar as condições de vida. Todo esse processo, em um primeiro momento, deu origem ao Naturalismo. Paris e Viena tornavam-se os centros culturais por excelência e, neste sentido, núcleos da Belle Époque.

De fato, a ciência realizara grandes avanços que possibilitaram à indústria se expandir e lançar invenções que revolucionariam radicalmente o mundo. Entre eles, pode-se citar, por exemplo, o rádio, o automóvel, o cinema, o telégrafo e o aeroplano. Além destes, já se dominava a eletricidade, enquanto que as locomotivas e os barcos a vapor faziam o transporte de produtos e pessoas muito mais rápido que as velhas carruagens ou caravelas. É o início da era da velocidade, da pressa e da imagem. As conquistas e inventos davam ao homem a doce ilusão de que ela já havia enfrentado seus grandes problemas e que agora seria o momento do desfrute.

O mundo, apesar de todas essas conquistas, não havia atingido ainda outra muito mais importante (como não atingiu até hoje): a da divisão da renda. Esta situação ocasionou vários protestos e greves fazendo que se expandissem idéias socialistas e anarquistas entre os operários. Com isto, o descontentamento não só atingia a relação capital/trabalho, mas também as relações comerciais entre as nações, e, em 1914, eclodia a 1ª Grande Guerra. Outro choque que abalaria a sociedade burguesa se daria em 1917: a Revolução Socialista na Rússia czarista. Toda esta agitação fez cair por terra afinal a utopia da Belle Époque e estremecer as verdades e crenças burguesas.

No campo artístico, o Naturalismo (século XIX) foi a escola que trouxe para a arte o racionalismo, o cientificismo. Para os naturalistas, a arte deveria ser uma extensão da ciência. Na poesia, o parnasianismo seguiu também as diretrizes do racionalismo procurando fazer uma arte mais ornamentária, por isto a preocupação maior residia na forma não no conteúdo, é “a arte pela arte”. Por outro lado, o Simbolismo anunciava a decadência do mundo burguês, propondo, ao contrário do racionalismo-naturalista, a redescoberta do eu-poético, do eu-metafísico.

Na filosofia, o francês Henri Bergson lançava a teoria intuicionista, pregando que o caminho para se determinar o que era o real era o da intuição e não o da razão. Enquanto isso, o psicanalista austríaco Sigmund Freud desenvolvia pesquisas sobre o subconsciente humano. Tudo isto possibilitava o ressurgimento do subjetivismo, ou seja, a visão pessoal do artista.

Essa efervescência sócio-política, econômica e cultural possibilitou o aparecimento de movimentos artísticos que refletiram e discutiram o caos e frenesi desses anos iniciais do século XX.
Tais movimentos ficaram conhecidos como vanguardas européias, que, de modo geral, representaram uma crítica às opressões causadas ao homem pela civilização industrial. Por outro lado, procuraram acompanhar a mudança do mundo trazendo para as manifestações artísticas a agitação da vida moderna, além de proclamar a necessidade de a arte tratar de temas modernos e não ficar preso, como fazia o Parnasianismo, ao mundo grego. As vanguardas se caracterizam pelo desejo de destruição do passado e pela visão crítica do presente.


Vários desses movimentos de vanguarda apareceram, dos quais cinco se destacam: futurismo, dadaísmo, expressionismo, cubismo e surrealismo.

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