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Literatura de informação

 

No primeiro século em que o Brasil passou a figurar nos mapas ocidentais (século XVI) não se desenvolveu aqui propriamente literatura de ficção, uma vez que os portugueses estavam iniciando o processo de colonização e era-lhes mais útil uma literatura documental, isto é, era preciso primeiro descrever e registrar a nova terra e os costumes dos ameríndios, a fim de colonizar o Novo Mundo. O primeiro desses documentos foi a carta escrita por Pero Vaz de Caminha a El-Rei D. Manuel. Outros seis textos merecem destaque pela influência não só na época como também posteriormente, fornecendo material à literatura indianista - que veremos adiante - e também à revisão da História oficial brasileira que empreenderam, sobretudo, os modernistas de 1922. São eles:

> Diário de Navegação - Pero Lopes de Sousa, 1532;

> Diálogo sobre a conversão dos gentios - Pe. Manuel da Nóbrega, sem data;

> Cartas do Brasil e mais escritos - Pe. Manuel da Nóbrega, 1549;

> Tratado da Terra do Brasil - Pero Magalhães Gândavo.

> Histórias da Província da Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil - Pero Magalhães Gândavo, 1576;

> Tratado descritivo do Brasil - Gabriel Soares de Sousa, de 1587.

De modo geral, os cronistas procuraram mostrar uma visão edênica da nova terra, fazendo referências às riquezas materiais, além de justificarem a colonização da terra e dos nativos pelo viés religioso:

(...) como o interesse seja o que mais leva os homens trás si que outra nenhuma cousa que haja na vida, parece manifesto querer entretê-los na terra com esta riqueza do mar, até chegarem a descobrir aquelas minas que a mesma terra promete, pera que assi desta maneira tragam ainda toda aquela cega bárbara gente habita nestas partes, ao lume e conhecimento da nossa Santa Fé Católica, que será descobrir-lhes outras maiores no céu a qual nosso Senhor permite que assim seja pera glória sua e salvação de tantas almas.

Além desta literatura informativa, desenvolveu-se uma outra com fins catequéticos ou simplesmente de efusão religiosa. Caso mais célebre é o do Pe. José de Anchieta, famoso pelos poemas dirigidos à Virgem Maria e também pelo seu teatro religioso. De qualquer modo, não se pode falar em literatura propriamente dita, ainda mais especificamente brasileira. Mesmo porque, Anchieta escreveu seus textos em latim, em tupi e em português.

Eis um trecho do "Poema da Virgem", em latim:

De compassione et planctu virginis in morte filli
Mens mea, quid tanto torpes absorpta sopore?
Quid stertis somno desidiosa gravi?
Nec te cura movet lacrimabilis ulIa parentis,
Funera quæ nati flet truculenta sui?
Viscera cui duro tabescunt ægra dolore,
Vulnera dum præsens, quæ tulit ilIe, videt.

Um dos seus poemas mais conhecidos é "A Santa Inês", do qual retiramos duas estrofes. Perceba-se o apelo popular dos versos, escritos em quadra e com cinco sílabas poéticas (redondilha menor):


Cordeirinha linda,
Como folga o povo
Porque vossa vinda
Lhe dá lume novo!
Cordeirinha santa,
De Iesu querida,
Vossa santa vinda
O diabo espanta.


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