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O texto
dissertativo
Celso L. Pagnan
Quando queremos defender
uma idéia e convencer nosso leitor acerca de
nosso ponto de vista, devemos elaborar um tipo de
texto que consiga apresentar com clareza nossas hipóteses,
justificá-las com base em argumentos, refutar
contra-argumentos, exemplificar e encaminhar para
conclusões. Enfim, com base em reflexão
e raciocínio, orientamos nosso leitor na direção
que consideramos a mais acertada. Esse tipo de texto
é chamado dissertativo, e corresponde ao que
nós conhecemos como um texto científico,
um editorial de jornal.
Esse tipo de texto envolve reflexão e raciocínio,
e que se apóia no genérico, no abstrato
para levar ao leitor o conhecimento pretendido. Como
sempre há uma intenção argumentativa,
o objetivo de uma dissertação é
influenciar, persuadir, convencer o interlocutor,
fazendo-o crer em algo, aderir a uma opinião.
Na dissertação, o enunciador de texto
manifesta explicitamente sua opinião ou seu
julgamento.
Estrutura do texto dissertativo
O texto dissertativo
organiza-se em três etapas, cada uma das quais
com funções bem específicas que,
em conjunto, oferecem ao leitor uma visão de
totalidade. Vejamos cada uma dessas três partes:
Introdução:
é a parte em que se apresenta a
idéia principal, a tese, a qual deverá
ser desenvolvida progressivamente no decorrer do texto.
A idéia principal é o ponto de partida
do raciocínio. A elaboração dessa
etapa inicial exige boa capacidade de síntese,
pois a clareza alcançada na exposição
da idéia constitui uma das formas de obtermos
a adesão do leitor ao texto; não que
o leitor de imediato concorde com nosso primeiro argumento
a tese mas se oferecermos a ele um contato
direto com a matéria que encaminhará
nossa argumentação, o texto ganhará
maior objetividade e rigor.
Desenvolvimento:
a articulação de novos argumentos ocorre
nesta etapa de elaboração do texto.
No desenvolvimento, as informações sobre
a matéria anunciada na introdução
são analisadas, debatidas em confronto com
informações integrantes, ou não,
do universo a que pertence o tema. É evidente
que a variedade de conexões entre os argumentos
depende da riqueza do repertório de quem escreve
e da possibilidade de constituir-se com eles uma rede
de sentidos; a quantidade de informações
por si só não assegura a qualidade da
argumentação, já que esta, como
uma operação lógica, decorre
do domínio sobre o material lingüístico
(estruturação da frase, pontuação,
uso de conectivos etc.) e da adequação
dos argumentos ao contexto, antecedida do exame da
veracidade de cada um deles.
Conclusão:
esta parte, que é também chamada de
desfecho, sintetiza o que há de mais relevante
no conteúdo desenvolvido; o objetivo dessa
retomada de conteúdos é registrar as
considerações finais do autor sobre
o tema.
Exemplo
de dissertação publicada em jornal:
Comerciais exibidos na televisão recorrem a
estereótipos para criar a sensação
de desejo no inconsciente do telespectador. A linguagem
da propaganda, em qualquer meio de comunicação,
é sempre a da sedução, a do convencimento.
(introdução)
Na TV, seu discurso ganha um reforço considerável:
a força das imagens em movimento. Assim, fica
muito difícil resistir aos seus apelos: o sanduíche
cujos ingredientes quase saltam da tela com sua promessa
de sabor, o último lançamento automobilístico
que nenhum motorista inteligente pode deixar
de comprar deslizando em uma rodovia perfeita
como um tapete, a roupa de grife moldando o corpo
esguio de jovens modelos.
A publicidade funciona assim nas revistas, nos jornais,
no rádio e nos outdoors, mas suas armas parecem
mais poderosas na televisão. Se é verdade,
como dizem os críticos, que a propaganda tenta
criar necessidades que não temos, os comerciais
de TV são os que mais perto chegam de nos fazer
levantar imediatamente do sofá para realizar
algum desejo de consumo e às vezes conseguem,
quando o objeto em questão pode ser encontrado
na cozinha.
Aprender a ler as peças publicitárias
veiculadas pela TV tem a mesma importância,
na formação de um telespectador crítico,
que saber analisar os noticiários e as telenovelas.
A parte mais óbvia desse trabalho de conscientização
refere-se, claro, à identificação
das estratégias usadas para criar o apelo ao
consumo.
Entre as armas da publicidade para seduzir o telespectador
destacam-se a nudez, a inocência infantil e
a plasticidade quase irreal das imagens. Independente
do apelo ao consumo, os comerciais exibidos pela televisão
também se prestam a análises mais amplas
de conteúdo.
(desenvolvimento)
Ao difundir modelos de comportamento, os comerciais
exercem tanta influência sobre os telespectadores
quanto os personagens de novelas. E, ao reforçar
estereótipos associados a raças e classes
sociais, por exemplo, contribuem decisivamente para
que imagens distorcidas da sociedade continuem a ser
propagadas.
(Conclusão)
Publicidade: a força das imagens a serviço
do consumo. Jornal Folha de S. Paulo.
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