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ESTRÉIA
LITERÁRIA Primeira incursão no mundo
da prosa*
Quando
criança, Paulo Nalin queria ser jogador de
futebol. Desistiu do sonho ao descobrir que não
tinha nenhuma habilidade com a bola, mas com a palavra
escrita. Tinha 13 anos, quando começou a exercitar
a veia literária em poemas e pequenos textos
em prosa. Duas décadas depois, ele faz sua
estréia na ficção com o romance
A Disputa, cujo subtítulo ''O Romance
Juvenil do Século XXI'' já entrega seu
público-alvo.
''O livro
narra o dia-a-dia de um grupo de estudantes endinheirados
que coloca as aparências e os bens materiais
em primeiro plano, excluindo de seu meio aqueles que
não não ricos e nem bonitos. No decorrer
da história, porém, os personagens acabam
descobrindo outros valores'' explica o autor, que
curso Letras na Unopar e trabalha no parque gráfico
da Folha de Londrina. Nalin levou três anos
para concluir a narrativa.
''Fiz
muita pesquisa para saber o que os jovens pensam,
quais são suas manias, perspectivas e expectativas
hoje. Procurei me respaldar na realidade, deixando
claro que os personagens são fictícios''
diz. Durante a elaboração do texto,
ele teve seu professor de latim como interlocutor,
a quem apresentava os capítulos à medida
que os ia terminando. O professor foi também
o responsável pela edição da
obra.
Nalin
atribui o ingresso na universidade como fundamental
para tomar a decisão de publicar seu primeiro
título em prosa. O ambiente acadêmico,
particularmente o contato com a literatura exigido
pelo curso de Letras, teria favorecido a empreitada.
Ele lembra que o primeiro estímulo para escrever
um texto de fôlego veio de um vizinho de bairro,
autor de um romance medieval. ''Ele distribuiu cópias
para alguns amigos sem qualquer pretensão de
publicar a história. Aquilo me incentivou a
escrever também'' conta.
O traquejo
para encarar a técnica do romance teria influência
de suas leituras, cujo repertório inclui autores
como Franz Kafka, Gustave Flaubert e Sidney Sheldon.
''Gosto de ler para ter pontos de referência''
observa. Sheldon virou, há pouco, seu autor
de cabeceira: ''Li cinco livros seguidos dele recentemente.
Ele é o único escritor que conseguiu
me fazer ler 100 páginas num dia só.
Suas tramas parecem novelos de lã, que prendem
a gente até o fim. E o final é sempre
surpreendente''.
De Sheldon,
o londrinense tirou lições para armar
um suspense para a trama de sua próxima obra.
Ele anuncia que será um romance, também
voltado para os jovens. ''Vou falar dos perigos da
Internet, das armadilhas que podem estar por trás
do site de relacionamentos Orkut ou do programa de
conversação MSN'' antecipa. A idéia
é publicá-lo em meados de 2007. Antes,
quer sentir a repercussão de ''A Disputa''.
''Dei
um tiro no escuro, me arrisquei'' afirma. ''Livro
é como música. A pessoa ouve ou lê
e se identifica. É por isso que sempre ouvimos
alguém falar: 'Isso tem tudo a ver comigo,
parece que o autor escreveu pra mim'. Bem, espero
que o público goste de meu primeiro trabalho''.
Nalim não programou ainda nenhum data para
lançamento ou sessão de autógrafos.
*Fonte:
Nelson Sato. Folha 2, Folha de Londrina,
30 de agosto de 2006.
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