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Biografias


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Giovanni Boccaccio


A vida de grandes escritores, ainda mais de tempos antigos, é sempre cercada de fantasias e lendas. Com Giovanni Boccaccio não foi diferente. Ao que parece, o próprio escritor contribuiu para a construção de algumas lendas. Segundo o que se diz, teria nascido em Paris; no entanto, nasceu em Florença no ano de 1313.

O pai, um comerciante chamado Boccaccio di Chellino, queria que o futuro escritor continuasse seus negócios, por isto enviou o filho a Nápoles a fim de aprender operações bancárias na empresa mercantil dos Bardi, cujo banco financiava a corte dos d’Anjou. No entanto, sem vocação para o comércio, Boccaccio consegue do pai autorização para abandonar o aprendizado em Nápoles e passa a estudar direito canônico. Com isto, tem acesso a obras francesas, italianas, latinas, o que lhe garante uma interessante formação humanística. Em Nápoles, conheceu o poeta Petrarca, com quem manteve constante amizade e de quem recebeu diversos ensinamentos sobre a Antigüidade clássica. Ainda em Nápoles, participou ativamente da vida na Corte, graças às amizades feitas.

Porém, com a falência da casa bancária dos Bardi, da qual o pai do escritor era sócio, Boccaccio passa a viver de modo regrado e sem grandes badalações. De qualquer modo, o acontecimento permite a ele conhecer as pessoas do povo, importante para a redação de Decamerão.

Em 1349 [ou 1341], com a morte do pai, Boccaccio tem de retornar a Florença, mas mantém contatos com a intelectualidade do período, especialmente com Petrarca, com quem se encontra diversas vezes.

No final da década de 1350, Boccaccio, apesar de seus escritos licenciosos, ingressa em uma ordem menor da Igreja Católica e, após 1360, é autorizado a assumir responsabilidades pastorais. Graças a essa conversão, o escritor esteve a ponto de queimar sua produção literária profana, incluindo o Decamerão. Porém, com a intervenção de Petrarca, desiste da idéia.

Na década de 1370, com autorização da prefeitura de Florença, passa a comentar passagens da Divina Comédia, de Dante Alighieri na igreja de Santo Stefano. Com a morte do amigo Petrarca, em 1374, Boccaccio, acometido por hidropisia e sarna, desilude-se da vida e, no ano seguinte, 1375, falece em Certaldo.

Giovanni Boccaccio é, ao lado de Dante Alighieri (1265-1321) e de Francesco Petrarca (1304-1374), um dos maiores nomes da literatura humanista da Idade Média. Diferentemente, porém, dos outros dois escritores, Boccaccio ateve-se mais ao plano terreno que ao plano espiritual, conforme se depreende da leitura de Decamerâo. Este livro, escrito entre 1348 e 1353, tem como base a peste que devastou boa parte da Europa na década de 1340 e chegou a Florença em 1348. Dez jovens se refugiam nos arredores de Florença e, durante duas semanas, a mando de um soberano, escolhido entre eles próprios e renovado a cada dia, contam histórias sobre os mais variados assuntos; narram um total de 100 novelas, as quais retratam os amores mundanos, a prática licenciosa de religiosos, a vida cortês dos nobres e a dos mercadores. A bem da verdade, o Decamerão tinha como destinatário principal exatamente os comerciantes, os burgueses, que iniciavam uma ascensão, que culminaria nas revoluções do século XVIII, como a ocorrida na França em 1789.

Talvez resida nesses aspectos a atualidade e a modernidade das novelas do Decamerão, ou seja, a vida terrena e os anseios humanos, retratados de maneira realista, por assim dizer, com uma linguagem, que mescla expressões populares e termos eruditos.

Bibliografia

Giovanni Boccaccio escreveu textos em latim e em dialeto toscano.

Poesia

> Caccia di Diana

> Vita Nuova

> Rime

> Filostrato – 1338

> Teseida delle nozze d’Emilia - 1341

> Amorosa visione – 1343

> Ninfale fiesolano – 1346

> Bucolicum carmen - 1366

Prosa

> Filocolo – 1336

> Comedia delle Ninfe fiorentine - 1342

> Elegia di Madonna Fiammetta – 1344

> Decamerão– 1353

> Corbaccio – 1365

Estudos e biografias

> De genalogitis deorum gentilium – 1350

> De casibus virogrum illustrium – 1360

> De claribus mulieribus - 1362

> De montinbus, silvis, fluminibus, stagnis seu paludibus et de nominibus maris liberbus -1366

> De vita et moribus domini Francisci Petrarchi de Florenti

> Trattatelo in laude di Dante


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