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José
de Alencar
José
Martiniano de Alencar
nasceu em 1829 na cidade de Mecejana, Ceará.
Morreu com apenas quarenta e oito anos, no Rio de
janeiro, vítima de tuberculose. O autor teve
seu nome imortalizado pela literatura, mas também
trabalhou como jornalista e advogado, além
de seguir os passos do pai na política, tendo
sido eleito no pleito de 1861.
Em 1838,
a família muda-se para o Rio de janeiro, pois
o pai de Alencar assumia o cargo de senador do Império.
Nesse mesmo ano, ele e o pai fizeram uma viagem pela
Bahia e Ceará que o marcou profundamente para
toda a sua vida literária. Em 1846, começa
o curso de direito em São Paulo. Por esse tempo,
suas discussões já se voltam em torno
de política, filosofia e literatura, sobretudo.
O Romantismo era a escola literária dominante
da época e influenciava as cabeças dos
jovens, levando-os a uma vida boêmia, grandes
farras e bebedeiras. Alheio a isto, o jovem Alencar
mergulhava nos livros de autores franceses, como Victor
Hugo e Chateaubriand. No ano seguinte, o pai, adoentado,
volta para o Ceará, indo também Alencar
a fim de cuidar dele.
Prossegue
seus estudos na Faculdade de Direito de Olinda, em
Pernambuco. Este retorno ao Ceará marca profundamente
o futuro do escritor, pois, já com dezessete
anos, pôde ver e viver a natureza cearense,
matéria de um de seus principais livros, Iracema.
Forma-se
em São Paulo em 1850, aonde retornara após
a reabilitação de seu pai. A esta época,
também, a tuberculose já o atingira.
Em 1854, estréia no jornalismo e na literatura
escrevendo crônicas para o jornal do Correio,
tendo como pseudônimo 18. Após brigas
com o redator do jornal carioca, torna-se redator-chefe
do Diário do Rio de janeiro, onde publica seu
primeiro folhetim, Cinco Minutos, depois encadernado
em forma de romance. Neste primeiro folhetim já
aparece uma de suas principais temáticas: a
vida burguesa, tendo como pano de fundo o casamento,
seguindo-se outros como A Viuvinha, Diva,
etc.
Alencar
lança bases para uma autêntica literatura
nacional em 1857, com O Guarani, tendo como
herói principal um índio. Nesta temática
seguem-lhe ainda Iracema e Ubirajara. Na verdade,
este projeto de criação de uma literatura
nacional e mesmo a busca de um caráter para
o povo brasileiro constituiu a base do romantismo
brasileiro, instituído por Gonçalves
de Magalhães em 1836, na revista Niterói.
De qualquer modo, foi José de Alencar, juntamente
com o poeta Gonçalves Dias, quem procurou criar
uma espécie de mapa literário brasileiro,
tematizando, além da vida urbana e do índio,
o sertanejo e o gaúcho.
A par
do que se podem perceber defeitos de tal ambição
- veja-se, por exemplo, como o índio de Alencar
lembra um cavaleiro medieval europeu -, o ficcionista
cearense instituiu um projeto completado pelos
modernistas em 1922.
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